BADALADOS – Antes de ser Scouter,
você trabalhou
como bancário.
A que se
deve a uma mudança tão radical?
DILSON STEIN – Meu primeiro contato foi em 1980, eu tinha 15 anos. Fui assistir a um desfile em minha cidade, Horizontina (RS). Fiquei impressionado, sobre a dinâmica, comportamento dos modelos e principalmente como poderiam ganhar dinheiro e ainda receber o aplauso do público. Aquilo despertou minha atenção. Comecei a ler sobre o assunto, estudar, mas naquela época o acesso à informação era muito mais difícil. O tempo passou e eu alimentei este sonho. Trabalhava como bancário e pedi transferência para Porto Alegre (RS). Fui me profissionalizar com cursos e logo pedi demissão do banco e comecei a trabalhar profissionalmente. Realizei meu primeiro trabalho com 20 anos, fiz alguns desfiles em Porto Alegre e logo fui convidado por uma agencia de São Paulo. Quando voltei para Horizontina, tive contato com várias meninas e meninos que gostariam de desfilar, mas que não tinham oportunidade. E neste mesmo momento fui convidado para participar de um concurso em uma cidade vizinha, Santa Rosa, (cidade natal da Xuxa). Acabei ganhando o concurso e fui convidado para realizar um curso na minha cidade. Foi um trabalho pequeno, mas a receptividade foi positiva, e desde então não parei mais. Hoje tenho uma projeção internacional que foi conquistada com muito trabalho.
BADALADOS – Como está sendo seu “olhar” diante
de modelos fora do padrão do Rio Grande do Sul.
Tendo em vista que é um Estado com grande
referencia para o mundo da moda?
DILSON STEIN – Durante 19 anos eu trabalharei praticamente no Sul. Que representa boa parte das modelos com projeção nacional e internacional. Porém, acredito que no Brasil há muita gente bonita. A modelo brasileira hoje está mais valorizada e existem muitas regiões em potencial. Mato Grosso do Sul, é um estado a ser explorado, não só aqui na Capital, mas todo interior. Nos próximos dias, através do Paulo Afonso algumas cidades serão visitadas em busca de novos talentos. O mercado está aberto a novos rostos, até porque existem dois tipos para modelar, o Fashion (Onde há a necessidade de seguir alguns padrões) e o comercial, onde, por exemplo, a altura não é tão importante. Hoje mulheres com mais de 25 anos também tem chances de se projetarem, então há uma diversificação no mundo da moda.
BADALADOS - Para este caso,
o Projeto Modelo,
quais sãos requisitos?
DILSON STEIN – Nesta ocasião fizemos uma seleção de oito a 25 anos. Sempre com acompanhamento dos pais, que é fundamental. Em setembro, dias 13 e 14 haverá uma Convenção, aonde virão dez agências nacionais e uma internacional. Um diretor de Tv também estará aqui para selecionar modelos comerciais, onde elas farão um vídeo, gravação de texto, desfile, fotos para composite (cartão de apresentação com informações sobre a modelo e fotos) e terão palestras explicativas e educativas sobre o mundo da moda.
BADALADOS– Para chegar a participar desta
Convenção, qual será o trajeto
desses modelos?
DILSON STEIN – Primeiro abrimos inscrições sem custo, apenas pedimos um quilo de alimento para doarmos a alguma entidade da cidade. No caso daqui arrecadamos cerca de uma tonelada e meia. Depois realizamos uma seleção desses modelos e só então concluímos com palestras de esclarecimento. Eu fico a disposição para as duvidas e deixo claro desde o inicio que não se trata de promessas de trabalho, mas sim uma preparação para as oportunidades. Só então passamos para a etapa da Convenção.
BADALADOS– Neste projeto existe alguma orientação
sobre a importância da alimentação,
visto que vemos
na mídia modelos com problemas de anorexia,
devido
à exigência em ser magra?
DILSON STEIN – Eu em 23 anos de carreira nunca presenciei uma mulher com anorexia. É uma doença que está inserida na sociedade, e não somente no mundo da moda. Por exemplo, a obesidade é uma doença que também mata. Porém, a anorexia está na mídia associada às modelos. Minha orientação é no sentido que tem que se alimentar bem, tem que estar saudável. Até porque nenhum cliente vai contratar uma modelo com cara de doente. Ela tem que ter uma alimentação balanceada, saber comer. O apoio dos pais é extremamente importante, acompanhar o filho, estar sempre oferecendo uma boa estrutura emocional para que não caia nesta ilusão de que não se alimentar estará agindo corretamente. A Gisele Bündchem, por exemplo, é magra e é saudável, ela não comete absurdos quanto alimentação.
BADALADOS– Falando na Top,
como foi
descobrir Gisele Bündchen?
DILSON STEIN – Foi em 1994, eu estava em São Paulo, quando fui para Horizontina ministrar um curso de uma semana. A Gisele recebeu um folder na escola e foi com sua mãe e as irmãs com o objetivo de corrigir a postura. Quando olhei para ela percebi que aqueles traços fortes fariam muito sucesso. Aquela menina que era chamada de ‘Olívia Palito’ na escola logo ‘explodiria’ nas passarelas. Então, um mês após este contato a levei para São Paulo com a mãe e as irmãs e o que eu temia aconteceu, o contrato com uma agencia. Em janeiro de 95 ela foi morar em São Paulo. Gisele no começo nem pensava em modelar, e em um momento ela disse isso a mim. Mas que depois descobriu que era isso mesmo que queria e seria uma modelo de sucesso. E, assim se fez. A partir do instante em que pensou em ser modelo, ela agiu para ser. Gisele sempre foi determinada, desde o inicio meimpressionei com a personalidade dela.
BADALADOS – Para encerrar, um conselho
para
os leitores do Badalados que desejam
seguir a
profissão de modelo.
DILSON STEIN – Entre os requisitos exigidos para cada
função (modelo fashion e comercial) como peso, altura,
pele,
o modelo tem que ter atitude, disciplina, estudar sobre
a
profissão e acima de tudo ter os pais presentes, sempre!
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